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Caio Augusto Fleury

A dieta dos nossos ancestrais

O livro “A dieta dos nossos ancestrais” (Matrix; 230 páginas; 30 reais) do autor brasileiro Caio Augusto Fleury introduz o leitor à dieta paleo e ao conceito low carb. Nos séculos XIX e XX tivemos uma atividade antropológica intensa. Muitos foram os cientistas  que viajaram para tribos e sociedades tradicionais a fim de entender seu estilo de vida e hábitos. O conceito paleo é uma abordagem dietética à luz da evolução. Busca entender em qual contexto nossos ancestrais viviam e como sua estrutura genética foi moldada através dessa dinâmica. Somos herdeiros desses seres pré-históricos e em nosso corpo expressa-se genes ancestrais que foram moldados num contexto selvagem, de períodos de escassez e abundância.

Quando analisamos o ser humano pelo prisma evolutivo rapidamente percebemos o quanto estamos distantes dos alimentos e do estilo de vida da qual nossos genes são fruto. Vivemos muito afastados do modo como a natureza e a pressão evolutiva nos moldou. Está cada dia mais claro para médicos e pesquisadores que o estilo de vida moderno, recheado de doces e alimentos ultraprocessados resulta em obesidade, infarto, diabetes, pressão alta, parkinson, alzheimer, doenças autoimunes etc.

Analisar nossos antepassados e povos tradicionais nos ajuda a entender sua saúde e doenças, assim como sua expressão genética. O estilo de vida é capaz de ligar e desligar genes, com isso abre-se um leque gigantesco de possibilidades e resultados. Nossos ancestrais viviam num contexto selvagem, com poucos alimentos em boa parte do ano e uma abundância relativa no verão. Na pesquisa paleo o consumo de carnes predomina no hábito alimentar ancestral. Das centenas de sociedades pesquisadas, todas comem carne de caça e cada uma delas atinge um percentual diferente de recurso energético através da proteína animal. Os aborígenes com 77% (carne)  23% (carbo); o povo Efe 44% (carne) para 56% (carbo); Esquimós 96% (carne) e 4% (carbo); e o povo !Kung com 33% (carne) e 67% (carbo). O carboidrato consumido pelos nossos ancestrais tinha um perfil glicêmico muito diferente. Por serem mais fibrosos e menos doces, esses carboidratos (batata doce, inhame) ofereciam um bom recurso energético, ao tempo que supria também a necessidade da nossa microbiota. Já as frutas eram escassas, aparecendo somente no verão, o que servia para engorda de nossos ancestrais, uma vez que o inverno era rigoroso e a fome comum.

Na escala evolutiva temos uma janela grande num contexto selvagem, contra um pedaço pequeno de agricultura e pecuária. Nesse período começamos cultivar grãos e selecionar alimentos. Segundo pesquisas foi a partir da agricultura que começamos criar as doenças que conhecemos hoje (diabetes, obesidade, pressão alta). O afastamento da vida primitiva, o hábito sedentário e o cultivo de alimentos altamente inflamatórios é recente, tem aproximadamente 10 mil anos. Na linha do tempo evolutiva é uma expressão muito pequena e é através desse argumento que pesquisadores paleo trabalham sua tese. Nosso corpo carrega genes de milhões de anos de adaptação e evolução. Hábitos criados pelos nossos ancestrais de 10 mil anos é muito recente para criar mutações que beneficiem o sapiens para comer grãos e outros alimentos inflamatórios. Por isso, olhar para o ser humano através do prisma evolutivo e fazer da antropologia um caminho para desenhar uma boa dieta é uma ótima estratégia.

Top 5 aprendizados

  1. Se tiver dúvida se algo é bom pro seu corpo, pergunte-se: no contexto evolutivo, essa escolha faz sentido?
  2. O corpo é resultado de uma construção que levou milhões de anos e traz uma herança consigo.
  3. Quanto menos processado for o alimento, melhor.
  4. Nosso ancestral tinha bons alimentos, movimento frequente e repouso de qualidade.
  5. Não tenha medo de gorduras boas.
Lucas Conchetto - 2020